quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A história do homem suspeito de ser sequestrado

Pegando um gancho nas palavras do jornalista Sebastião Vicente, que registrou no Twitter que alguém foi "suspeito de ser sequestrado", conto caso gravíssimo que aconteceu no território da minha imaginação: um homem foi suspeito de ser sequestrado e passou horrores. 
www.tribunauniao.com.br/?p=ver-noticia&id=21004&

Foi o seguinte: a manchete do principal jornal da cidade anunciou que um grande comerciante estava sob suspeita de ter sido sequestrado. Imediaatamente todas as polícias, civil, militar e federal entraram em estado de alerta, porque quem é suspeito é suspeito de algo, ou seja: o verbo suspeitar sugere que o sujeito alvo da suspeição é praticante de crime. Se não fosse assim, não seria um suspeito.

Ora, o homem que tinha sido sequestrado mesmo, estava padecendo em seu cativeiro. Enquanto isso, as polícias ativavam seus serviços de inteligência para que fosse capturado. Quando o cativeiro foi estourado pela polícia civil lá estava o pobre: acorrentado e amordaçado. Os bandidos haviam fugido minutos antes. 

Então, estando sob cárcere privado, ou seja, confirmado o sequestro, havia ali prova material de que o homem era realmente culpado por ter sido sequestrado. Se não fosse, não estaria ali, em local típico de criminosos.

Quando os agentes saíam com o agora bandido, que alegava aos brados que não era bandido, mas empresário, portanto pessoa ordeira e, mais que isso, vítima, chegaram os policiais militares. Imeditamente deram voz de prisão a todos. E de nada adiantou os policiais civis afirmar que eram agentes da lei: os soldados disseram que, se estavam em companhia de criminoso ocorria ali a formação de bando ou quadrilha e assim policiais civis e empresário foram postos em camburões.

Quando já seguiam para a delegacia, chega a polícia federal que por sua vez também prende a todos sob a mesma alegação: formação de quadrilha, crime agravado por serem todos homens da lei, conluiados com homem suspeito de ter sido sequestrado. 

A polícia federal então pensou em levar todo o já enorme grupo à prisão quando a Força Nacional de Segurança ia passando e, ao ver aquele amontoado, capturou a todos imediatamente. Estabeleceu-se então grande tumulto e começou um tiroteio. Alguém chamou as Forças Armadas, pois pensou-se que ali havia algum tipo de levante, revolta ou até mesmo revolução, luta armada. 

Então todo mundo começou a prender todo mundo e, ao final das contas, todo o aparelho armado do país estasva envolvido e todos prenderam a todos, incluindo a população, que em meio a gritos de "o povo unido jamais será vencido"configurou situação de ato subversivo e todo subversivio deve ser tirado de circulação. 

Em meio à sedição agora instalada coube a um bandido, chefe da pior quadrilha do país, ter uma ideia: sequestrar alguém para pedir resgate. Pior: a quadrilha sequestrou todo mundo para garantir um bom lucro. Mas como todos estavam sequestrados, não havia ninguém a quem cobrar o tal resgate. Assim, a quadrilha denunciou à Justiça que tinha uma grande fortuna a receber, mas as famílias  dos sequestrados não assumiam suas responsabilidades de devededores. O juiz do caso entendeu que a quadrilha tinha razão, uma vez que, como trabalhadores do crime, os criminosos tinham legalmente direito a seu salário.

Como solução decidiu-se que os bandidos teriam direito a assaltar um banco para ressarcimento de danos morais e materiais. Eles foram a assaltaram. Como garantia levaram o gerente de refém. E o gerente passou a ser suspeito de ser sequestrado. Nesse momento todos esqueceram do sequestro anterior e de todas as suas loucas consequências e passaram a perseguir o agora novo suspeito. Isto posto, tudo voltou à normalidade, mas até agora o gerente não foi capturado.




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